Programa Segunda Água: água para produção, segurança alimentar e agricultura familiar
O chamado Programa Segunda Água surgiu como uma estratégia de ampliação do acesso à água no meio rural, especialmente no Semiárido.
A lógica é simples: depois de garantir água para beber e cozinhar — a chamada Primeira Água — a família pode também receber uma tecnologia destinada à produção de alimentos, criação de pequenos animais e fortalecimento da agricultura familiar.
Atualmente, essa ação está integrada ao Programa Cisternas, coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome — MDS.
O que é a Segunda Água
A Segunda Água é destinada à produção.
Segundo o MDS, a ação consiste na implantação de tecnologias sociais de captação e armazenamento de água da chuva destinadas principalmente à produção agrícola e à criação de pequenos animais.
A proposta é permitir que famílias rurais tenham água não apenas para suas necessidades domésticas, mas também para produzir alimentos.
Isso pode contribuir para:
- hortas familiares;
- cultivo de frutas, verduras e legumes;
- criação de pequenos animais;
- diversificação da alimentação;
- fortalecimento da produção para autoconsumo;
- geração de renda com eventual comercialização de excedentes.
Primeira Água e Segunda Água: qual é a diferença?
A distinção é importante.
A Primeira Água prioriza o consumo humano, especialmente beber e cozinhar.
A Segunda Água tem finalidade produtiva.
O próprio serviço oficial do Governo Federal informa que, para ser potencial beneficiária da ação de água para produção, a família deve ter acesso a alguma tecnologia de Primeira Água.
Essa lógica procura estabelecer uma prioridade: primeiro garantir água segura para a família; depois ampliar a disponibilidade hídrica para a produção.
Cisterna Calçadão
Uma das tecnologias mais conhecidas de Segunda Água é a Cisterna Calçadão.
Ela utiliza uma área cimentada para captar a água da chuva.
A água que cai sobre o calçadão é conduzida por tubulações até a cisterna.
O modelo descrito atualmente pelo MDS possui capacidade de 52 mil litros.
Além da captação de água, o próprio calçadão pode ser utilizado para atividades como secagem de grãos.
Cisterna de Enxurrada
Outra tecnologia é a Cisterna de Enxurrada.
Nesse modelo, a água é captada a partir do escoamento superficial da chuva.
A água passa por estrutura de decantação e filtragem antes de chegar ao reservatório.
Assim como a Cisterna Calçadão, o modelo apresentado pelo MDS possui capacidade de 52 mil litros.
A escolha entre uma tecnologia e outra depende das características do terreno, do regime de chuvas e das condições da propriedade.
Outras tecnologias de acesso à água
A postagem original de 2011 mencionava tecnologias como:
- barragem subterrânea;
- barraginhas;
- bomba d'água popular;
- cisterna calçadão;
- cisterna de enxurrada;
- tanque de pedra.
O Programa Cisternas evoluiu e atualmente trabalha com diferentes tecnologias sociais reconhecidas, adequadas às características dos territórios e às finalidades de consumo ou produção.
Portanto, não existe uma solução única para todas as famílias.
A tecnologia precisa ser compatível com o território.
A água também é instrumento de segurança alimentar
A Segunda Água não deve ser entendida apenas como obra de infraestrutura.
Ela está diretamente relacionada à segurança alimentar e nutricional.
A própria descrição oficial do programa destaca que a produção destinada ao autoconsumo pode diversificar e melhorar a qualidade da alimentação da família. Quando existem excedentes, a comercialização também pode contribuir para geração de renda.
Isso mostra que o acesso à água pode produzir efeitos simultâneos sobre:
- alimentação;
- saúde;
- produção;
- renda;
- autonomia familiar;
- permanência das famílias no campo.
Agricultura familiar
A Segunda Água possui forte relação com a agricultura familiar.
A disponibilidade hídrica permite que pequenas propriedades desenvolvam produção mesmo em regiões sujeitas a longos períodos de estiagem.
Para uma família agricultora, ter água armazenada pode representar a possibilidade de manter um quintal produtivo, cultivar alimentos ou criar pequenos animais durante períodos em que as chuvas são escassas.
Por isso, a política pode funcionar como instrumento de inclusão produtiva rural.
A família não recebe apenas a cisterna
Esse é um aspecto interessante da política atual.
Na ação de Água para Produção, o MDS informa que, além da tecnologia de acesso à água, a família pode receber materiais destinados à produção, como sementes, mudas e equipamentos simples, além de capacitação.
Isso reforça o caráter produtivo da iniciativa.
Não se trata apenas de entregar uma estrutura física.
A proposta é criar condições para que a água armazenada efetivamente contribua para produção e melhoria das condições de vida.
Capacitação faz parte do programa
A formação das famílias continua sendo parte da execução.
Os documentos oficiais do Programa Cisternas mantêm instrumentos específicos para capacitações de famílias atendidas tanto pela Primeira quanto pela Segunda Água.
A capacitação pode envolver temas como:
- uso adequado da tecnologia;
- conservação da estrutura;
- manejo da água;
- produção de alimentos;
- gestão da produção;
- convivência com condições climáticas locais.
Isso é importante para a sustentabilidade do investimento público.
Quem é o público do Programa Cisternas?
O programa tem como público famílias rurais de baixa renda, consideradas aquelas com renda por pessoa de até meio salário mínimo, além de equipamentos públicos rurais afetados pela seca ou pela falta regular de água.
Povos e comunidades tradicionais possuem prioridade.
As famílias precisam estar inscritas no Cadastro Único.
No caso específico da Segunda Água, o MDS informa que o potencial beneficiário deve ter acesso prévio a alguma tecnologia de Primeira Água.
Como a execução é acompanhada
Hoje o Programa Cisternas possui instrumentos de controle muito mais estruturados do que aqueles existentes quando esta postagem foi publicada, em 2011.
O SIG Cisternas registra as tecnologias implantadas e reúne informações sobre:
- beneficiários;
- capacitações;
- município;
- comunidade;
- georreferenciamento;
- tecnologia instalada;
- documentação de recebimento;
- fotografias da estrutura.
O sistema é utilizado para execução, monitoramento e prestação de contas das parcerias.
Existem inclusive formulários específicos de cadastramento de famílias de 2ª Água e termo de recebimento próprio para tecnologias de caráter produtivo.
O Programa Cisternas continua sendo ampliado
O Programa Cisternas continua ativo.
Segundo o MDS, desde 2003 aproximadamente 1,2 milhão de famílias já foram beneficiadas com tecnologias sociais destinadas ao consumo humano, produção de alimentos ou dessedentação animal, alcançando mais de 1,5 mil municípios em 21 estados.
A partir de 2023, o programa passou a integrar estratégias como o Novo PAC e o Plano Brasil Sem Fome.
O MDS informa ainda uma meta de 219 mil novas cisternas e outras tecnologias sociais até 2026, com investimentos da ordem de R$ 2 bilhões.
Minas Gerais também aparece entre os estados contemplados pelas contratações realizadas desde 2023.
Segunda Água e desenvolvimento rural
A importância dessa política vai além do reservatório.
Quando associada a assistência técnica, capacitação e outras políticas de agricultura familiar, a disponibilidade de água pode contribuir para:
- produção de alimentos;
- melhoria nutricional;
- geração de renda;
- diversificação produtiva;
- autonomia das famílias;
- resistência aos períodos de seca.
É justamente essa articulação que transforma uma tecnologia simples em instrumento de desenvolvimento rural.
Conclusão
A postagem publicada em 2011 apresentava o Programa Segunda Água como uma iniciativa ainda em expansão.
Quinze anos depois, o conceito permanece válido, mas está inserido em uma política mais estruturada: o Programa Cisternas.
A lógica continua sendo muito relevante:
primeiro garantir água para a família; depois criar condições para que a água também ajude a produzir alimentos e renda.
A Segunda Água demonstra como uma política de acesso à água pode se conectar diretamente com segurança alimentar, agricultura familiar, inclusão produtiva e desenvolvimento rural.
Fontes e referências
Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. Programa Cisternas.
MDS. Programa Cisternas – água para beber e para agricultura.
MDS. Saiba Mais — Programa Cisternas. Atualizado em junho de 2026.
MDS. Gestão e Execução do Programa Cisternas.
MDS. Resultados do Programa Cisternas.
Texto originalmente publicado em 25 de janeiro de 2011 e atualizado em setembro de 2026.
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